terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[Resenha] The Bride of the Water God #4 - Yoon Mi Kyung

Informações Gerais: 
Título: The Bride of the Water God 
Autora: Yoon Mi Kyun
Volume: 4
Capítulos: 22 a 29
Ano: 2007
Tipo: Manhwa
Gênero: Fantasia,  Slice of Life, Histórico, Romance, Shoujo e Drama 

Boa noite, pessoal! Já faz um tempo deste que eu postei minha última resenha, certo? Agora volto a falar da série The Bride of Water God, um manhwa da autora Yoon Mi Kyung

Neste 4° volume tudo começa com conflitos entre Soah e seu pai, com seu "amigo" para defendê-la. Soah passar por muitas indecisões e confusões em sua mente ao longo dos capítulos, sempre com uma dose de romance para suavizar a trama e torná-la ainda mais emocionante 

Soah decidiu se casar com seu amigo de infância que pediu-lhe em casamento. O problema é que a garota não tem sentimentos fortes pelo rapaz além da amizade. O grande momento é a volta da protagonista ao Reino das Águas, que acontece de forma inesperada. É no Reino das Águas que acontecem cenas românticas entre o casal principal e muitas revelações que deixam Soah confusa 

Ela precisa saber em quem e no que confiar, já que mais de uma pessoa fala com ela sobre o mesmo assunto. Acontece que tem gente que é para desconfiar mesmo...
E apesar de ela se lembrar de Habaek (uma coisa boa, finalmente se lembrou dele), ele ainda não sabe de sua dupla-identidade, o que mexe demais com o seu psicológico. 

E, além de muitas confusões e uma grande inimiga, ainda há Nakbin, o antigo amor do Deus das Águas...

E agora, como tudo ficará para a nossa heroína? Estou ansiosa para as próximas emoções! 

Considerações: 
Na trama, neste volume foram mencionais alguns mitos/lendas asiáticas também presentes na Coreia como a da Flor de Lycoris e a "Linha Vermelha do Destino", tal como uma lenda coreana do "Vaqueiro e a Tecelã" que diz que os amantes podem apenas se encontrar  uma vez ao ano, em um dia chamado "Chil-Suk", que é a sétima noite do sétimo mês do calendário lunar. Em uma outra oportunidade farei posts mencionando estas histórias! 

Minhas leituras de 2017 - Mês de Fevereiro

Aqui, listarei as minhas leituras do mês de Fevereiro deste ano. A postagem será atualizada sempre que houverem mais resenhas minhas! Espero que gostem das minhas recomendações e que também possam ter o prazer de ler tais histórias!

A) Japão 
Mangá
  1. Kaname Étoile - Kayoru 
  2. 1/2 Love - Kayoru 
  3. Shin Shunkaden - CLAMP 
Mangá (One-Shot) 
Mangá (Antologia/Coletânea de One-Shots) 
  1. Junai Bride - Kayoru 
  2. Sensei, Suki  - Aikawa Hiro 
  3. Sensei to Uwakichu- Fujinaka Chise 
Série de Mangá
  1. The Bride of the Water God (Volume 4) - Yoon Mi Kyun 
C) China 

Coletânea de One Shots 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

[Lenda Coreana] A Lenda de ChunHyang - Parte II

Antes de ler, deixo aqui o significado de algumas palavras que aparecem em coreano: 
- Munkwa: O exame civil confucionista de mais alto escalão 
- Amhaeng osa: Oficial secreto do rei nomeado por ele para assegurar que não haja abuso de poder nas províncias 
(...) O novo magistrado de Namwon chegou na manhã seguinte, e suas palavras ao seu empregado foram:
Traga-me Chunhyang, a bela garota da qual ouvi falar
Isso é difícil, senhor Replicou o empregado Ela já está casada com Yi Mongyong, o filho do magistrado anterior
Nervoso, o novo magistrado ordenou que Chunhyang fosse convocada de uma vez. Muito apavorada para desobedecer a uma ordem do magistrado, Chunhyang acompanhou o empregado
O magistrado a observou atentamente:
Ouvi falar muito de ti em Seul e hoje vejo que você é muito bela. Você chegará até mim? 
Escolhendo as palavras cuidadosamente, Chunhyang replicou:
Estou comprometida com Yi Mongyong, e por isso não poderei atender ao teu pedido. O Rei o enviou aqui para cuidar da população. Você tem uma grande responsabilidade para com o trono. Então, seria melhor cumprir teus deveres e aplicar a justiça de acordo com as leis do país.
A postura desafiadora de Chunhyang enfureceu o magistrado, e ele ordenou que a levassem à prisão.
Por que colocar-me na prisão? Chunhyang protestou Eu não fiz nada de errado. Uma mulher casada necessita ser fiel ao seu marido, assim como um magistrado deve ser fiel ao rei
Isso apenas serviu para deixar o magistrado ainda mais nervoso, e logo Chunhyang se encontrava em uma cela de prisão. Enquanto isso, Yi Mongyong chegou à Seul, onde estudou bastante e apendeu sobre todos os clássicos chineses. Ele passou nos exames do governo, com a distinção mais alta, desta forma sendo qualificado para um cargo a serviço do rei. Como recompensa pelos exames munkwa o Rei lhe perguntou:
Você deseja ser um magistrado ou um governador?
Eu gostaria de ser nomeado como amhaeng osa Respondeu Yi Mongyong. Como um amhaeng osa, Yi Mongyong viajava pelo país com seus companheiros, denominados como “indigentes”. Eles se informavam de tudo a respeito das necessidades das pessoas para assegurar a qualidade da administração dos distritos locais. Logo eles chegaram perto de Namwon, e foram até uma fazenda em uma aldeia, onde se plantava arroz
Enquanto trabalhavam, os camponeses lamentavam tristemente:
Nós saímos calor ardente, aramos a terra, plantamos as sementes, e fazemos o arroz crescer. Primeiro pagamos tributos ao rei, dar uma parcela aos pobres, dar uma parte aos viajantes que batem às nossas portas, e reservar dinheiro destinados às tradicionais missas. Estaria tudo bem se o magistrado não nos oprimisse ainda mais, deixando-nos sem quase nada para comer!
Muito interessado, Yi Mongyong aproximou-se e disse:
Ouvi dizer que o magistrado de Namwon casou-se com Chunhyang e que estão vivendo felizes juntos
Como ousa dizer algo assim? Retrucou um dos fazendeiros Chunhyang é fiel, verdadeira e pura, e você é um tolo ao falar coisas assim sobre ela e aquela tirano, que é cruel com ela. Não, o destino dela é bem pior do que isso, porque o filho do antigo magistrado a seduziu e a desvirginou aquela pobre garota e então a abandonou, sem nunca voltar para vê-la. Ele é um bastardo, um cachorro, um porco!
O tom revoltado do fazendeiro chocou Yi Mongyong e ele pensou que os demais aldeões também se sentiam da mesma maneira os aristocratas yangban locais também compartilhavam da ira da população Yi Mongyong acabou encontrando um lugar onde alguns yangban faziam um piquenique, estavam recitando poemas e conversando em uma encosta. Ele ouvia tal como um estudante, alguém que apresentou um poema crítico contra as injustiças do governo provincial. Quando ele terminou, outra pessoa que estava no piquenique disse:
Estes são dias tristes. Ouvi dizer que uma jovem mulher chamada Chunhyang está para ser executada em dois ou três dias
Oh, esse Magistrado é um desgraçado! Ele está pensando apenas em subjugar Chunhyang, mas ela como o pinheiro e o bambu, que nunca muda. Ela lembrou de ser fiel e verdadeira ao seu marido
E outro completou:
Ela se casou com o filho do antigo magistrado! Que porco ele é! Abandonou a pobre garota.
Aqueles comentários fizeram com que Yi Mongyong, aborrecido e envergonhado, se apressasse para ir a Namwon. Enquanto isso, Chunhyang presa este tempo todo, permaneceu fiel à memória de Yi Mongyong. Ela havia ficado magra, fraca e doente. Um dia, ela teve um sonho em que via sua casa. Em seu jardim, as flores que ela plantou e amou haviam sumido. O espelho em seu quarto havia se quebrado. Seus sapatos estavam amarrados na verga da porta.
Ela chamou por um homem cego, que estava passando pela janela de sua cela, e perguntou-lhe o significado de seu sonho
Eu lhe direi o que isso significa. Estas flores secas gerarão frutos, o barulho do vidro quebrado do espelho será ouvido pelo mundo inteiro e os sapatos na porta significam um grande número de pessoas vindo lhe visitar para parabenizar-lhe.
Chunhyang agradeceu ao cego e rezou para que a profecia dele se realizasse. Entretanto, na realidade, a condenação de Chunhyang estava próxima. Naquele dia, o maléfico magistrado chamou seus criados e lhes disse:
Em três dias, eu celebrarei um grande banquete e desejo convidar todos os magistrados das cidades vizinhas e neste dia Chunhyang será executada
Enquanto isso, Yi Mongyong foi à casa de Chunhyang. Num primeiro momento, a mãe de Chunhyang não o reconheceu:
Eu não sei quem você é. Sua face me lembra Yi Mongyong, mas suas roupas são roupas de um indigente
Mas eu sou Yi Mongyong Disse ele
Oh! Ela se surpreendeu Todos os dias nós estávamos à tua espera, mas lamentavelmente, em dois ou três dias Chunhyang morrerá
Escute-me, Mãe Respondeu Yi Mongyong Mesmo que eu seja um indigente miserável, eu ainda anseio a Chunhyang e desejo vê-la
Com Yi Mongyong seguindo-a, ela bateu à janela da prisão, chamando por sua filha, que dormia. Desperta, Chunhyang imediatamente perguntou se alguém havia visto Yi Mongyong ou se tiveram notícias dele
A mãe respondeu que no lugar de Yi Mongyong apareceu um indigente que alegou ser Yi Mongyong e estava lá para vê-la
 Yi Mongyong apareceu na janela e Chunhyang olhou para ele. Parecia não fazer diferença alguma a ela o fato de estar mal vestido, que parecia que havia fracassado em sua vida em Seul. Ao invés disso, ela aproximou-se dele através das grades e debateu-se para ficar o mais próximo possível dele
Eu posso ser um indigente em minhas vestes, mas não tenho o coração de um indigente
Meu querido Como deve ter sido difícil a sua jornada. Vá com a minha mãe e descanse um pouco. Por favor, apenas... Já que estou sentenciada à morte e devo morrer amanhã após o banquete... Apareça em minha janela novamente amanhã de manhã para que eu possa ter o prazer de te ver uma vez mais antes que eu faleça.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

[Lenda Coreana] A Lenda de ChunHyang - Parte I

Resolvi pesquisar mais sobre essa lenda depois de ler um mangá chamado Shin Shunkaden, que era baseado nesta lenda folclórica coreana. Estou traduzindo do inglês e é muito comprida, por isso, vou dividi-la em diversas partes. Espero que gostem desta história o tanto quanto eu já estou apaixonada por ela e pelos personagens que a compõe
Então, sem mais delongas, vamos à primeira parte desta linda história de amor...
A Lenda de ChungHyang
História adaptada de Ha Tae Hung, Contos folclóricos da Antiga Coreia, Série Cultural Coreana 6 (Seul: Yonsei University Press, 1967)

Há muito tempo atrás, vivia na província de Cholla, na cidade de Namwon, um filho de um magistrado chamado Yi Mongyong. Ele tinha muito talento para a literatura e cresceu de forma a ser um belo e jovem rapaz.
Em um belo dia, o Senhor Yi Mongyong lhe chamou seu empregado Pangja e pediu-lhe que lhe mostrasse um lugar onde pudesse ver flores selvagens. Pangja o guiou até um pavilhão de verão perto de uma ponte chamada “Ojak-kyo” ou “A ponte da Pega-Rabuda”. A vista da ponte era tão linda quanto o céu de verão, e foi nomeada assim depois da história entre o líder da turma e a empregada costureira
Olhando em direção às distantes montanhas, Yi Mongyong avistou uma jovem donzela em um balanço sob uma das árvores. Ele perguntou a Pangja a respeito da graciosa donzela e sua responsável. Ele respondeu que se tratava de Chunhyang (Perfume de Primavera), uma filha de Wolmae (Lua Cheia), a aposentada anfitriã kisaeng. Pangja ainda revelou ao seu jovem mestre que aquela jovem garota não era apenas bonita, mas também virtuosa. Assim Yi Mongyong insistiu para que Pangja informasse a Chunhyang que ele desejava encontrá-la
Não sabe que a borboleta deve seguir seu caminho até a flor e que o ganso deve ir à procura do mar? Retorquiu Chunhyang.
Pangja reportou o que ela havia dito a Yi Mongyong, o qual ficou desconsolado. O empregado sugeriu que ele fosse a jovem donzela por si mesmo. Yi Mongyong aproximou-se de Chunhyang. Ela era ainda mais linda do que havia imaginado da primeira vez que a avistou.
O vento fez seus cabelos e a longa fita que estava sobre sua face rosada se esvoaçarem e ela brilhava com virtude e felicidade.
“Essa bela fortuna foi-me concedida hoje. Por que esperar até amanhã? Não devo eu falar com esta linda moça agora?" Yi Mongyong disse a si mesmo.
Quanto a Chunhyang, esta ficou assustada por estar sendo observada. Desceu de seu balanço e correu em direção à sua casa. Ao parar debaixo de um pessegueiro no portão de seu jardim, ela arrancou uma flor e a beijou, com seus lábios e sua face mais vermelhas que a flor, e se foi
Pangja instruiu seu mestre a se apressar em voltar para casa, assim seu pai não poderia saber nada a respeito de sua aventura e depois punir Pangja por permitir que Yi Mongyong fosse tão longe. O jovem foi para casa em transe e imediatamente foi sentar-se para jantar com seus pais. Terminada a refeição, Yi Mongyong foi para seu quarto, acendeu uma vela e abriu um livro. Ler parecia impossível. As palavras borravam frente a seus olhos, e toda palavra e todas as letras eram de “Primavera” e “Fragrância”. – Chunhyuang, Chunhyang, Chunhyang. Ao chamar Pangja, ele disse:
Esta noite eu devo ver Chunhyang. Ela não disse que a borboleta tem que seguir seu caminho até a flor?
Eles foram à casa de Chunhyang, parando sob o pessegueiro do qual se aproximaram. Naquele momento a mãe de Chunhyang estava contando à sua filha que tinha tido um sonho no qual um dragão azul colidiu contra Chunhyang, e agarrando-a com a boca, voou aos céus. Olhando ao redor, ao invés do dragão celeste a mãe da garota avistou um dragão na Terra, pelo fato de que Yi Mongyong estava caminhando no escuro, e falou com ela
Sabendo do propósito de sua visita, a mãe chamou Chunhyuang para encontrar-se com o nobre rapaz, e Yi Mongyong pediu a mãe de Chunhyang pela mão de sua filha em casamento. A velha senhora, pensando que seu sonho estava se tornando realidade, consentiu alegremente:
Oh, você é o filho de um nobre homem e Chunhyang é filha de uma kiseang então, não podemos ter um casamento formal, mas se você nos conceder um contrato secreto relatando seu compromisso de não a abandonar nós ficaremos satisfeitas
Yi Mongyong pegou um pincel e escreveu as seguintes linhas:
“O mar azul pode tornar-se uma amoreira e amoreira pode tornar-se o mar azul, mas o meu sentimento por Chunhyang nunca mudará. O céu, a Terra e todos os deuses são testemunhas”

Naquela noite de sono, eles sonharam com Patos Chineses nadando juntos. Por inúmeras noites, ele visitava sua amada, até que ela o provocasse dizendo que ele deveria retornar ao seu lar e estudar bastante para se tornar um grande oficial tal como seu pai. Infelizmente, o tempo deles juntos não durou muito
Não muito depois do casamento em segredo, o empregado trouxe uma mensagem a Yi Mongyong dizendo que seu pai, agora nomeado como chefe de gabinete do rei, foi transferido à capital. Yi Mongyong, que estava a acompanhar seu pai, chegou aquela noite a Chunhyang para dar-lhe a má notícia. O jovem casal foi forçado a terem um adeus repleto de lágrimas na Ponte da Pega-Rabuda.
Já que não maneira de mudar o nosso destino, permita-nos abraçar e então, nos separarmos Disse Chunhyang, colocando as suas mãos ao redor de seu amado.
E então, ela lhe entregou um anel:
Este é o símbolo do meu amor por você. Guarde isso até nos encontrarmos novamente. Vá em paz, mas não se esqueça de mim. Eu vou permanecer fiel a ti e te esperar aqui para que você venha e me leve para bem longe daqui, para Seul.
E com essas palavras, eles se separam.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

[Conto Chinês] O Pintor do Céu

Há muito tempo, vivia no Sul da China, um velho pintor de muito talento. O que ele mais gostava de retratar eram rostos de crianças. Toda semana, pintava sete carinhas diferentes, uma para cada dia.
Certa noite, enquanto o pintor trabalhava, caiu uma tempestade horrível. Ele estava tão entretido em fazer o retrato de uma linda menina que nem percebeu que à sua porta surgira uma misteriosa figura. Ela atravessou o cômodo e quando chegou ao seu lado, disse:
Eu sou a Morte, e preciso levá-lo comigo hoje
O velho, porém, não ficou assustado. Pelo contrário, continuou a pintar, respondendo apenas:
Morte, por favor, diga ao Senhor do Céu que estou muito ocupado e não posso partir sem terminar meu retrato.
Surpresa com a atitude do pintor, a Morte aproximou-se do quadro. Ficou paralisada. O rosto que ele pintava era tão lindo e vivo que parecia-lhe sorrir. Emocionada, a morte foi-se embora. Quando chegou ao céu, o Senhor do Céu lhe perguntou:
Morte, o que aconteceu? Você voltou sozinha?
Senhor, me perdoe, mas não consegui interromper o velho mestre. Ele estava pintando um rosto tão lindo...
O Senhor do Céu ficou furioso com a morte:
O que é isso? Você nunca me desobedeceu! Volte já para a Terra e traga-me o pintor!
Mas quando a Morte chegou à casa do pintor, ficou novamente paralisada. Os quadros do velhinho eram tão maravilhosos que ela não queria que ele parasse de trabalhar. Porém, desta vez não poderia falhar, e pediu que o pintor apanhasse seu material e o quadro que estava pintando e a acompanhasse
Quando viu o quadro do velho, o Senhor do Céu compreendeu a atitude da Morte e disse:
Meu velho e sábio mestre, soube que na Terra você era um pintor célebre. Pois bem, vou permitir que continue a trabalhar no céu. E foi assim que o pintor se instalou no maravilhoso palácio celeste junto com o Espírito da Vida. Cada vez que o Espírito da Vida desejava fazer nascer um bebezinho, chamava o pintor para que ele criasse um lindo rosto. E é por isso que, até os dias de hoje, todas as crianças são belas, trazendo em suas pequenas faces o toque mágico do eterno mestre chinês, o pintor do reino dos céus
(História do folclore chinês)
Fonte: Livro “Lá Vem História”, de Heloisa Pietro, com ilustrações de Daniel Kondo. Editora Companhia das Letrinhas.  

[Conto Chinês] Wang-Fo e a magia da arte

Era uma vez um velho pintor chamado Wang Fo. Seus quadros eram tão perfeitos, tinham tanta magia, que, quando ele ia pintar um cavalo, por exemplo, pessoas lhe pediam para retratar o animal preso num cercado, pois, sabiam que, se Wang-Fo pintasse o animal solto nos campos, ele um dia fugiria do quadro galopando e nunca mais voltaria
Wang-Fo tinha um discípulo cujo nome era Liu. Certa manhã, ambos trabalhavam no ateliê, quando subitamente apareceram os guardas do rei e os prenderam sem explicações
“O que será que imperador quer de mim? ”, pensou Wang-Fo. “Por que enviou soldados que me tratam com tanta grosseria? ” Quando chegaram ao palácio, o pintor descobriu que fora chamado pelo jovem filho do imperador. O belo rapaz lançou lhe um profundo olhar de raiva e lhe disse:
Como vai, meu velho? Quer saber por que eu o chamei? Para contar-lhe que você arruinou a minha vida!
Mas como foi isso? Perguntou o velhinho com os olhos cheios de lágrimas O que foi que eu lhe fiz?
E o filho do imperador explicou:
Quando eu era menino, meu pai enfeitou meu quarto com suas pinturas. Vivi cercado pela beleza de suas paisagens e criaturas mágicas. Mas quando saí para conhecer o mundo real, detestei tudo que encontrei. Nada tinha a beleza de suas obras. Por isso, resolvi matá-lo, velho pintor.
Nisso, Liu, o discípulo que amava o mestre como a um pai, atirou-se contra os guardas para defendê-lo. Estes, imediatamente, lhe cortaram a cabeça. As lágrimas escorriam pelas faces de Wang-Fo.
Então, o filho do imperador continuou:
Mas antes de sua morte, quero que você pinte sua obra prima E ordenou aos guardas: Vamos, tragam a tela, pincéis e tinta para o velho!
Ainda chorando, Wang-Fo começou a trabalhar. Primeiro, pintou o mar. Estava tão concentrado em seu trabalho que não percebeu que as águas mágicas de sua pintura estavam inundando todo o palácio. De repente, ouviu a voz de Liu. Virou-se e o encontrou vivo, de pé ao seu lado.
Você não morreu, meu filho? Perguntou ao jovem.
Enquanto o mestre estiver vivo, eu jamais poderei morrer...Respondeu Liu. E acrescentou: Mestre, o senhor já percebeu que está inundando o palácio? Olhe só para os guardas e o imperador!
Só então Wang-Fo percebeu que eles flutuavam nas águas saídas de seu quadro. O pintor sorriu e disse:
Não se preocupe, meu jovem. Daqui a pouco tudo volta ao normal. Agora, vamos, chegou a nossa hora de partir
E Wang-Fo pintou um pequeno barco riscando o mar a azul, e dentro dele desenhou sua figura ao lado da de Liu. O filho do imperador nadou até o quadro. Mas só teve tempo de ver um barquinho deslizando e depois sumindo, levando o pintor e seu discípulo para outras terras, onde ninguém poderia alcançá-los e onde seriam muito mais felizes.

Fonte: Livro “Lá Vem História”, de Heloisa Pietro, com ilustrações de Daniel Kondo. Editora Companhia das Letrinhas.

[Conto Chinês] O Sábio Brincalhão

Na antiga China vivia um velho muito sábio, que todos procuravam para pedir conselhos. O sábio gostava também de fazer brincadeiras. Um dia, ele foi se hospedar na casa de um rei. Rapidamente, uma multidão reuniu-se às portas do palácio. Irritado, o rei pediu a seus lacaios para verem o que estava acontecendo
Disseram que desejam ouvir o sábio, Majestade, porque ele é um homem muito inteligente
O rei ficou enciumado do prestígio do sábio. Afinal, ele era apenas um velho e não poderia ser mais amado que o próprio rei
Chamou o sábio e lhe disse:
Vamos ver quem é o mais inteligente do reino. Quero lhe fazer um desafio. Olhe bem para esta joia que carrego no colar. É a gema mais preciosa daqui. Se conseguir tirá-la de mim, eu o aceitarei como o homem mais inteligente do reino
Já que o senhor está pedindo, prometo tirar-lhe a joia Disse o sábio.
Assim que ele deixou o salão o rei ordenou:
Ponham um lacaio na porta do meu quarto com um tambor bem grande nas mãos. Ao menor ruído, o tambor deverá ser tocado. Quero também que ponham uma mulher para cuidar da lareira. Ao menor ruído, ela deverá avivar as chamas para que o palácio fique iluminado. Desejo ainda que quatro cavalheiros guardem o palácio dia e noite. Ao menor ruído, eles deverão sair em busca do ladrão.
Todas as providências foram tomadas, porém o sábio nada de aparecer. Começaram até a achar que o rei ganhara a aposta. Foi então que surgiu uma velha senhora diante dos quatro cavalheiros:
Vocês parecem tão cansados Ela lhes disse Querem um pouco de vinho?
Os cavalheiros aceitaram a oferta. Tomaram o vinho, e assim que adormeceram, a velhinha cuidadosamente levou os cavalos embora. Aproximou-se da lareira e viu que a mulher também havia cochilado. Encheu os cabelos dela de palha, e dirigiu-se ao aposento real. Sentando com um tambor no colo, o lacaio até roncava. A velhinha cuidadosamente pôs uma faca em sua mão. Depois, entrou no quarto do rei, onde o sábio já a esperava. Vendo que a pedra não estava pendurada no pescoço do rei, o sábio pegou um punhado de pó e colocou sob o nariz dele. O rei bocejou, a pedra que estava escondida em sua boca, caiu. O sábio a apanhou. Em seguida, cobriu a cabeça do rei com um pano preto e saiu gritando:
 Vejam! Ganhei a aposta! A pedra está comigo!
O lacaio despertou e tocou o tambor, mas, como tinha uma faca na mão, furou. A mulher perto da lareira acordou de um salto e abaixou-se para avivar as chamas. Mas, como seu cabelo estava cheio de palha, pegou fogo, e ela saiu correndo. Os quatro cavalheiros, ao abrirem os olhos, perceberam que não haviam mais os cavalos para perseguir o sábio. O rei também despertou, mas, com a cabeça coberta, não enxergava nada. Nervoso, apenas pulava e gritava
Na manhã seguinte, o sábio foi até o rei e lhe devolveu a pedra. Este, ficou tão furioso que pediu que seus lacaios a quebrassem. O povo então decidiu que o rei estava louco e precisava ser substituído.
Pediram ao sábio que assumisse o trono. E, daquele dia em diante, governados por sábio brincalhão, as pessoas daquele reino desfrutaram muita felicidade.

(História do folclore chinês)

 Fonte: Livro “Lá Vem História”, de Heloisa Pietro, com ilustrações de Daniel Kondo. Editora Companhia das Letrinhas. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

"A Flor" por Kim Chun-Soo

Estava pesquisando por literatura coreana quando encontrei um site com poemas escritos por autores coreanos. Neste post, vou compartilhar um que gostei muito. Chama-se "A flor", escrita por Kim Chun-Soo (1922-2004)

Coloquei a flor de Lótus Vermelha como ilustração porque significa amor, paixão e compaixão, características presentes no poema 
A Flor 

Antes de eu chamar pelo seu nome,
Ela não era nada
Além de um gesto.

Quando eu chamei pelo seu nome,
Ela veio até mim,
E em uma flor se transformou

Da mesma forma que eu chamo pelo seu nome,
Alguém chamará pelo meu nome e
Haverá de convir com a minha luz e minha fragrância?

Eu também desejo chegar até ela,
E transformar-me em sua flor
Todos nós ansiamos nos tornar em algo,

De ti para mim, e de mim para ti,
Nós desejamos nos transformar em um olhar,
Que não será esquecido

Fonte (em inglês): The Flower 

Sobre o autor: 
Kim Chun-Soo nasceu em 1922, em Tongyeong. Ele estudou no Departamento de Artes da Nihon University, no Japão. Ele foi professor na Universidade de Masan e na Universidade Nacional de Kyungpook. Ele recebeu o prêmio de Literatura da Ásia e o Prêmio de Literatura da Coreia, dentre outros. Suas coletâneas de poemas incluem Clouds and Roses,The Swamp, Flag, Death of a Boy in Budapest, Possessed by Dostoyevsky, e uma coletânea de poemas selecionados chamado The Snow Falling on Chagall’s Village and The Selected Poems of Kim Chun-soo. Seus mais notáveis trabalhos são: "The Flower" (A Flor) e “An Introductory Poem for a Flower” entre outros

Fonte: Korean Literature Now 

Su Shi – Jiang Cheng Zi

Depois de Poetry Pavillion deu uma vontade imensa de pesquisar mais sobre literatura chinesa até que encontrei esse poema, que também estava incluso no manhua.

Vamos ao que interessa:
Jiang Cheng Zi - Sonhando com a minha finada esposa 

Dez anos separados pela vida e pela morte,
Eu tento não me recordar
Mas esquecê-la é difícil

A solidão se agrava a mil milhas de distância
Pensamentos frios. Posso dizê-los em voz alta?
Mesmo se nos encontrássemos, você não me reconheceria,

Há poeira em minha face
E o cabelo é como geada
Em um sonho, eu repentinamente estou em casa,

E na janela de seu pequeno quarto,
Você estava penteando teus cabelos e se maquiando
Você se vira e olha ao redor, sem nada dizer
Apenas lágrimas estão se derramando.

Ano após ano, isto partirá meu coração?
Envolto pela intensa luz da lua
Está o pequeno pinheiro.

Fonte (em inglês) 

Traduzido a partir do inglês, através do meu entendimento, mas por ser um poema clássico, há várias outras interpretações/traduções para este poema.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

[Resenha] Peony Pavilion - Xia Da

Informações Gerais: 
Título: Poeny Pavilion
Autora: Xia Da
Ano: 2008
Tipo: Manhua
País: China
Gênero: Poema, Lírico, Histórico, Romance e Drama
Sentido de Leitura: Esquerda para a Direita

Esse foi um daqueles manhuas que me conquistaram completamente, do início ao fim. Fiquei interessada por conta da sinopse, a uma primeira vista, e realmente o manhua me cativou, através da escrita e dos desenhos feitos pela autora.

O que me chamou atenção é que estas histórias (é uma coleção de One-Shots) são baseadas em poemas ou contos clássicos da literatura chinesa ou em óperas, igualmente milenares. Os poemas são transcritos no fundo dos quadrinhos, que com traços delicados e singelos (e a cores) dão mais beleza e vivacidade à história. Além disso, as personagens dos quadrinhos são representadas com vestimentas de época, o que contribui para dar um ar histórico ao manhua.

Por ser do gênero lírico, os textos são formados por rimas, o que dá mais ritmo e sentimentalismo à escrita. O interessante é que nem todos os quadrinhos possuem diálogos/falas, mas ainda assim, apenas pelo traço (pelo olhar da personagem) é possível identificar a mensagem que a autora quer transmitir através de sua arte

As passagens são tão românticas quanto tristes e/ou dramáticas. Menciona-se a perda de uma pessoa amada, ou alguém que espera encontrar. Amor é amor, sempre trazendo tanto o prazer quanto a dor. E assim são as pessoas, que desejam incansavelmente e incessantemente encontrar algo ou que anseiam ter para si e perto de si

Às vezes, parece ser o amor algo inalcançável, inatingível, indomável, nesta trilha interminável. Interminável a ponto de querer alcançar aos céus ou ao mar, para que com sua amada possa se reencontrar. Ou então, pode escolher apenas esperar
E em outras tantas vezes pode querer dela se lembrar, porque das cinzas, ela já não pode retornar. Como *"a fênix, que procura pela fênix".

Ah, sim, a fênix. Nestas histórias/poemas chineses inseridos nessa one-shot, é bem comum a presença de elementos da natureza (como o mar) e de seres místicos, como a fênix que segundo as lendas têm seu simbolismo e significado. A fênix, especificamente simboliza graça e virtude, sendo também um símbolo de paz.
Como se sabe, na cultura oriental há significado por trás de muitas coisas, e de certa forma, é isso que a torna tão brilhante!

É interessante também notar que no final de cada um das One-Shots, a autora coloca uma explicação sobre de onde teve a inspiração para trabalhar. Só de ler essas explicações (e claro, esse manhua maravilhoso) deu uma vontade imensa de conhecer mais sobre a literatura chinesa e a cultura da China! 💘 Realmente foi uma leitura muito prazerosa e extremamente produtiva, que até mesmo me instigou a pesquisar mais a fundo, e mergulhar na Antiga China com muito, muito mais intensidade

Essa resenha foi um pouco diferente, escrevi de um modo mais poético justamente para entrarem no clima. Espero que tenham gostado da resenha e que também, em algum momento possam ter a oportunidade de ler esse manhua que tem a imensa capacidade de fisgar o leitor, instigá-lo a ir até o fim, e terminar com uma imensa mistura de sensações no interior de seu coração

[Resenha] Shin Shunkaden - CLAMP

Informações Gerais: 
Título: Shin Shunkaden
Autora (as): CLAMP
Tipo: Mangá
Ano: 1992
Gênero: Ação, Magia, Fantasia, Histórico, Shoujo & Drama

Encontrei esse mangá por acidente enquanto pesquisava por mangás baseados em lendas coreanas (eu me interesso bastante pela cultura coreana) e então magicamente encontrei essa história da CLAMP. É baseada na famosa Lenda de ChunHyang, que deu origem a várias adaptações em filmes e dramas também

A trama se passa na época da Dinastia Goryeo, uma das dinastias mais marcantes de toda a Coreia. Entretanto, no mangá foi adaptado para "País de Koriyo", talvez como forma de "construírem" um lugar alternativo, na qual se passa o enredo.

[Nota: O mangá inteiro foi romanizado como "Koriyo", provavelmente da forma como os japoneses pronunciam o nome coreano "Goryeo"]

ChunHyang é a heroína da história. Órfã de pai, tem apenas a mãe como sua família e protetora. Como sempre foi extremamente apegada à mãe, ChunHyang sempre fez de tudo para protegê-la.
Cheia de atitude, energia e muita bondade em seu coração, a garota é valente, corajosa, destemida e tem um temperamento forte. Sua especialidade são as artes marciais, as quais pratica toda vez que precisa se proteger e proteger aqueles que ama, das injustiças do filho do governante da cidade onde mora

Tudo muda quando a jovem perde sua preciosa mãe e tem que seguir seu caminho. Na verdade, uma missão muito importante a espera e ela precisa enfrentar muitos obstáculos e desafios pela frente! E quem a acompanha é um "viajante desconhecido". Mas qual será a real identidade deste rapaz?

Bom, não vou dizer mais nada para não dar muito spoiler, até porque a história é curta. Só digo que fiquei com o coração bem apertado em determinadas cenas e ri demais em outras! As "tias" da CLAMP arrasam!

Algumas considerações a mais: 
- Como a história é baseada na História Coreana tem algumas palavras/expressões em coreano, como por exemplo, nomes de alimentos típicos coreanos e formas de tratamento

- A representação das personagens dá aquele ar mais histórico por conta das vestimentas tradicionais da época (super chiques, na minha opinião), além dos cenários.

- Quanto às semelhanças e diferenças com a lenda, ainda não li esta lenda coreana para dizer alguma coisa a este respeito, mas quem sabe num futuro próximo eu faça algumas comparações, se der. Entretanto, vale lembrar que "A Lenda de Chunhyang" é milenar e possui várias versões da história

sábado, 11 de fevereiro de 2017

[Fanfic] (De)cisões da Vida


Sinopse: 
Na Inglaterra do século XIX, a família Marchi, e principalmente Elizabeth Marchi, mais conhecida como Beth terá muitas surpresas e obstáculos à sua frente. Sua irmã Meg decidiu o caminho que quer seguir. Mas será que Beth também terá o mesmo sucesso que a mais velha para tomar uma grande e forte decisão em relação ao amor e ao seu próprio futuro? Descubra lendo esta fanfic 

Obs: Esta fanfiction é baseada no manhwa "Dear, My Girls", da autora coreana Kim Hee Eun 

Gênero: Comédia, Drama, Família, Romance & Shoujo 

Lista de Capítulos: 
 Capítulo 01: Uma carta de Meg 
Capítulo 02: "Não seja idiota, Adrian!" 
Capítulo 03:"Elizabeth March, você é estupidamente honesta" 
Capítulo 3.1: "Vamos a um passeio!"
Capítulo 4: Nós encontramos Greg-sunbae e Meg 
Capítulo 05: "Vote em Elizabeth March para Estelle (título provisório) - em breve 
Capítulo 06: Eu o amo, mas ele não sente o mesmo que eu - POV Amy 
Data original da publicação: 01/02/2017

Capítulo 3.1 - "Vamos a um passeio!"

POV Adrian Avery
Ah, a Bela Adormecida despertou! Foi a primeira coisa que lhe disse naquela manhã Não está com fome, senhorita?
Ela respondeu de uma maneira nada delicada, encarando-me e me pedindo para esperar
Sugiro que vá na frente
De maneira alguma, eu te espero Eu tinha o dia livre, além de que eu gostava de provocá-la o máximo possível. Ela era extremamente prática e ela somente precisa arrumar seu cabelo, algo que fez rapidamente
Então, vamos? Eu lhe perguntei, estendendo a minha mão cordialmente, e pela primeira vez em algumas horas ela concordou comigo, pacificamente, sem me questionar. Estendeu-me a mão e eu a guiei para comermos algo bem reforçado naquela manhã e assim se fez. Ao término da refeição, perguntei à Beth:
Tem planos?
Não, mas...ela sentiu corar, colocando as mãos nas próprias maçãs do rosto, e eu percebi que ela estava realmente corada. Devia estar imaginando coisas...
Então, me acompanhe por hoje, Milady
Como? Está querendo algo de mim? Ela perguntava, desconfiada e na defensiva
Quero sim lhe disse, com um sorriso intencional direcionado a ela, que me perguntou:
E o que seria?
Como assim “O que seria? ” Ela tinha problemas, por acaso?
Quero que me acompanhe por hoje, senhorita. Ou você é surda?
Surda eu não sou, mas essa sua gentileza extrema para comigo é completamente descomunal
Tem certeza do que pensa a meu respeito, Milady? Eu a desafiei
Tenho sim Ela continuou séria, mas eu tinha impressão que não era exatamente isso que ela queria dizer, então perguntei a ela
—Não se lembra da noite anterior, Senhorita March? Eu estava realmente curioso, mas queria saber se aquela pergunta um tanto intencional ia surtir algum efeito na mudança de comportamento/opinião de Beth.
Não tive sorte. Não adiantou nada, ela continuou a responder-me no mesmo tom indiferente de antes, como quem não quer absolutamente nada comigo – muito menos naquela manhã de domingo –
Além do fato de você ter sido totalmente arrogante? Não, não me lembro de nada
Então era isso. Ela não deve ter sentido/percebido que na noite anterior eu fui vê-la secretamente e gentilmente, eu a acariciei. Ela não sabia disso, nem fazia ideia. Mas eu ainda tinha minhas dúvidas. Apesar de suas palavras indiferentes, será que ela realmente não se lembrava de nada do que havia acontecido? Será que aquele beijo... não significou nada a ela?
Ei, por que eu estou pensando neste assunto?! Ainda mais a esta hora da manhã! O que estava acontecendo comigo? Eu nunca fui de refletir sobre sentimentos nem nada do gênero, mas de repente só penso nisso. Oh, isso sim é realmente descomunal da minha parte!
Por fim, já tentando afastar aqueles pensamentos alheios de minha mente, eu apenas lhe encarei por alguns segundos e lhe disse:
Então, vamos ao nosso passeio?
Para minha surpresa ela imediatamente concordou, estendendo-me sua pequena mão. E desta vez, não havia mais ironias trocadas entre nós. Ela sorriu de canto e eu retribui, pois desta vez eu não estava sendo sarcástico nem fazendo nenhum jogo de palavras ao oferecer-lhe o meu tempo e a minha gentileza para um passeio. Naquele domingo, eu queria ficar com ela, e apenas com ela
Rapidamente, chamei por Kurt e avisei a ele que estaríamos de saída. Ele imediatamente disse que compreendia, deixando-me satisfeito. Não demorou para que eu pegasse um cavalo e saíssemos a passeio. A viagem até o local onde a levaria demoraria cerca de 7 horas de viagem. A princípio seguimos viagem silenciosamente, mas quem quebrou o silêncio entre nós foi ela: Elizabeth March
Para onde exatamente você está me levando? Ela perguntava-me curiosamente
Não consegue ficar quieta e esperar a surpresa, Beth?
Então ela se calou por alguns segundos e disse:
Surpresa? Ela estava impressionada com aquilo
Assenti.
Sim, Beth, uma surpresa para você. Então você vai esperar?
Então, quando achei que estava tudo resolvido sobre aquele assunto, ela começou a argumentar, imaginando coisas que nem haviam de fato acontecido ainda
Eu agradeço muito, mas é que eu tenho pensado tanto na Meg que...
Droga! Ela estragou meu plano de surpreendê-la! Como vi que ela não ia parar de falar, eu a interrompi devolvendo-lhe com uma pergunta:
E para onde a senhorita acha que eu estou te levando, Beth?
No mesmo instante, ela se calou de vez. Estava completamente sem reação àquilo. No fim, o meu plano não foi totalmente um fracasso, porque naquele momento percebi que eu realmente havia conseguido surpreendê-la, sem nem precisar apelar para truque algum.
A única estratégia que eu precisava para ter sucesso com ela – e para vê-la contente naquele dia –, era realizando seu desejo.